Cadeia cinética aberta e fechada
- Rudney Nicacio

- 13 de ago. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 23 de jul.

Quando iniciamos um programa de treinamento ou reabilitação, é comum ouvirmos os termos cadeia cinética aberta (CCA) e cadeia cinética fechada (CCF). Embora pareçam conceitos complexos, compreender essa diferença ajuda a entender por que determinados exercícios são escolhidos para objetivos específicos.
O mais importante é saber que não existe uma cadeia cinética melhor do que a outra. Ambas possuem vantagens e aplicações, devendo ser utilizadas de acordo com a necessidade de cada pessoa.
O que é cadeia cinética?
Uma cadeia cinética é o conjunto de articulações, músculos e segmentos corporais que trabalham em conjunto para produzir um movimento.
A classificação em aberta ou fechada depende principalmente do comportamento da extremidade distal (mãos ou pés) durante o exercício.
Cadeia Cinética Aberta (CCA)
Na cadeia cinética aberta, a extremidade distal está livre para se mover no espaço. Normalmente, o movimento ocorre em uma articulação específica, permitindo maior isolamento muscular.
Exemplos
Cadeira extensora;
Mesa flexora;
Rosca direta;
Tríceps na polia (pulley);
Elevação lateral.
Vantagens
Maior isolamento de grupos musculares específicos;
Excelente para hipertrofia localizada;
Facilita a correção de desequilíbrios musculares;
Permite controlar com precisão a carga e a amplitude do movimento;
Muito utilizada em programas de reabilitação.
Considerações
Dependendo do exercício, da carga utilizada e da fase do movimento, alguns exercícios em cadeia aberta podem gerar maiores forças de cisalhamento sobre determinadas articulações, como ocorre na cadeira extensora em alguns ângulos do joelho. Isso não significa que sejam prejudiciais, mas que devem ser prescritos de forma adequada.
Cadeia Cinética Fechada (CCF)
Na cadeia cinética fechada, a extremidade distal permanece fixa ou apoiada sobre uma superfície, fazendo com que diversas articulações e grupos musculares trabalhem simultaneamente.
Exemplos
Agachamento;
Flexão de braços;
Barra fixa;
Afundo (lunge);
Leg press;
Subida em degraus.
Vantagens
Maior participação de diversos grupos musculares ao mesmo tempo;
Maior coativação da musculatura estabilizadora;
Excelente para o desenvolvimento da força global;
Movimentos mais semelhantes às atividades da vida diária e à maioria dos gestos esportivos;
Muito utilizada na preparação física e em diversas fases da reabilitação.
Considerações
Os exercícios em cadeia fechada costumam favorecer maior estabilidade articular devido à participação simultânea de diferentes músculos. Entretanto, isso não significa que sejam sempre mais seguros ou superiores aos exercícios em cadeia aberta. A escolha depende dos objetivos, da condição física e das necessidades individuais.
Cadeia aberta ou fechada: qual é melhor?
Essa é uma das dúvidas mais frequentes, mas a resposta é simples: nenhuma é melhor em todas as situações.
A cadeia aberta é especialmente útil quando o objetivo é isolar músculos específicos, corrigir desequilíbrios musculares ou fortalecer uma região durante a reabilitação.
Já a cadeia fechada é bastante indicada quando se busca desenvolver força funcional, coordenação, equilíbrio, estabilidade e movimentos que se aproximam das atividades do dia a dia e da prática esportiva.
Na maioria dos programas de treinamento, a combinação das duas formas de exercício costuma produzir os melhores resultados.
Conclusão
Os exercícios em cadeia cinética aberta e fechada são ferramentas complementares. Cada um possui características próprias e aplicações específicas.
Um programa de treinamento bem elaborado normalmente utiliza ambos os tipos de exercícios, respeitando os objetivos, o nível de condicionamento físico, possíveis limitações e a fase do treinamento ou da reabilitação.
Mais importante do que escolher entre cadeia aberta ou fechada é contar com uma prescrição adequada, baseada em evidências científicas e nas necessidades individuais de cada praticante.



