No Fim, a Morte

Há algo de profundamente irônico na existência: passamos boa parte da vida tentando construir alguma coisa sabendo, no fundo, que tudo será desfeito.
A gente nasce sem pedir. Cresce aprendendo regras que não escolheu, trabalha para pagar contas, corre atrás de dinheiro, reconhecimento, amor, saúde, estabilidade e pequenos momentos de prazer. Faz planos para o futuro como se o futuro nos pertencesse. E, enquanto estamos ocupados tentando fazer a vida valer a pena, o tempo simplesmente continua passando.
Perdemos pessoas. Perdemos oportunidades. O corpo envelhece. Aquilo que ontem parecia importante hoje parece ridículo. Aquilo que hoje parece indispensável, amanhã será apenas uma lembrança.
E então vem a parte mais democrática de todas: a morte.
Não importa quanto dinheiro você tenha, quantas coisas conquiste, quantas pessoas conheça ou o quanto seja admirado. No fim, o destino é o mesmo. O corpo será enterrado, cremado ou transformado em alguma outra coisa, enquanto o mundo continuará funcionando como se nada tivesse acontecido.
Talvez essa seja a parte mais desagradável da existência: a vida não precisa ter um grande significado para continuar acontecendo. Ela simplesmente acontece.
Você acorda, trabalha, come, se diverte, sofre, se apaixona, se decepciona, envelhece... e repete tudo isso até que um dia não há mais repetição.
E talvez seja justamente por isso que a vida pareça uma merda.
Não porque todos os dias sejam ruins, mas porque até os dias bons são provisórios. A felicidade não elimina a morte. O amor não elimina a perda. O sucesso não elimina o fracasso. O prazer não elimina a passagem do tempo.
Tudo o que conquistamos vem acompanhado de uma pequena cláusula escondida: isso também vai acabar.
No entanto, há uma crueldade ainda maior: mesmo sabendo disso, continuamos.
Continuamos fazendo planos. Continuamos rindo. Continuamos desejando. Continuamos comprando coisas, conhecendo pessoas, ouvindo músicas e esperando o próximo fim de semana.
Talvez isso não seja uma prova de que a vida tenha sentido.
Talvez seja apenas o instinto de continuar existindo.
No final, a grande piada é essa: passamos a vida inteira tentando encontrar uma razão para viver, quando a única certeza que recebemos é a razão pela qual tudo isso um dia deixará de importar.
A vida é uma merda. A gente se acostuma. E, no final, a gente morre.

