Comer em Excesso, Mesmo Comida Saudável, é Prejudicial
- Rudney Nicacio

- 26 de out. de 2025
- 5 min de leitura

A ideia de que “comida saudável nunca faz mal” é um engano comum. Embora alimentos naturais, integrais e ricos em nutrientes sejam fundamentais para a manutenção da saúde, o excesso, mesmo deles, rompe o equilíbrio fisiológico e mental do organismo. O corpo humano foi feito para a harmonia, não para o acúmulo.
Sobrecarga do sistema digestivo
O aparelho digestivo possui um ritmo próprio, um tempo certo para processar, absorver e eliminar. Quando a quantidade ingerida ultrapassa essa capacidade, o estômago se distende, o fígado e o pâncreas trabalham em ritmo acelerado e o intestino se torna lento. Mesmo um prato de legumes, grãos e raízes, quando consumido em excesso, exige esforço desnecessário. Isso gera cansaço pós-refeição, sonolência e desconforto abdominal — sinais de que o corpo está tentando equilibrar o exagero.
Excesso calórico e acúmulo de gordura
Todo alimento contém energia. Mesmo os saudáveis — como abacate, castanhas, azeite, arroz integral e frutas — possuem calorias que, em excesso, são armazenadas como gordura corporal. O corpo humano não diferencia o excedente de calorias “boas” ou “ruins”; ele apenas guarda o que não usa. Assim, o hábito de comer além da fome real pode levar ao ganho de peso, resistência à insulina e inflamações silenciosas, mesmo dentro de uma dieta teoricamente equilibrada.
Desconexão entre corpo e mente
Comer em excesso não é apenas um ato fisiológico, mas também um sintoma de desconexão. Quando a mente não está presente, busca-se na comida uma forma de prazer, segurança ou distração. Essa relação desequilibrada leva ao comer automático, em que o prazer sensorial momentâneo se sobrepõe à escuta do corpo. O resultado é a perda da sensibilidade natural à saciedade, o que, com o tempo, distorce a percepção da fome e alimenta um ciclo de compulsão.
A importância do “quanto basta”
O ensinamento do “quanto basta” — presente tanto na filosofia oriental quanto na ciência moderna da nutrição — indica que a qualidade da alimentação está ligada à quantidade adequada. Comer até cerca de 70% ou 80% da capacidade estomacal mantém a digestão leve, a energia estável e a mente clara. É nesse ponto que o corpo se mantém nutrido sem sobrecarga, e o alimento cumpre sua função essencial: sustentar a vida, não entorpecê-la.
Comer com consciência
A solução não está em restrições rígidas, mas em presença e observação. Comer devagar, saboreando, reconhecendo o momento em que o prazer se transforma em excesso, é um exercício de atenção plena. Essa prática une nutrição e autoconhecimento. Quando se come com consciência, o corpo indica naturalmente o ponto de parar — e o ato de alimentar-se torna-se uma forma de respeito à própria vida. Mesmo o alimento mais puro perde seu valor quando consumido em excesso. O equilíbrio está em comer o suficiente para nutrir o corpo e manter a mente desperta. A verdadeira saúde não vem apenas do que se come, mas da relação que se estabelece com a comida: uma relação baseada em moderação, gratidão e presença.
intervalo entre as refeições
O intervalo ideal entre as refeições depende do seu objetivo, do tipo de alimentação e da resposta individual do seu corpo — mas há princípios gerais que se aplicam à maioria das pessoas:
O tempo médio natural: 3 a 5 horas
Esse é o intervalo mais comum e fisiologicamente adequado. Após uma refeição equilibrada (com proteínas, fibras e gorduras boas), o corpo leva cerca de 3 a 5 horas para:
digerir o alimento;
absorver nutrientes;
estabilizar a glicose e a insulina no sangue.
Nesse período, o corpo alterna entre absorção e leve jejum — essencial para manter o metabolismo eficiente e evitar picos de insulina.
O valor do espaço vazio
Deixar o estomago ficar vazio por um tempo é tão importante quanto alimentá-lo. Quando há espaço entre as refeições:
o sistema digestivo descansa e se regenera;
ocorre o processo de autofagia (limpeza celular leve);
a mente se mantém mais clara e desperta.
Esse espaço é parte do equilíbrio
Varia conforme o contexto
Situação | Intervalo sugerido |
Treino intenso (musculação, corrida, etc.) | 2 a 3 horas entre refeições principais, com opção de um lanche leve pós-treino. |
Rotina comum / manutenção de peso | 3 a 4 horas entre as refeições. |
Emagrecimento ou busca de clareza mental | 4 a 6 horas, se o corpo tolerar bem — promovendo leve estado de jejum e uso de gordura como energia. |
Escuta corporal
Mais importante que o relógio é sentir o corpo:
Se houver fome real, o estômago emite sinais sutis (leve vazio, atenção voltada ao alimento, não apenas desejo).
Se for apenas vontade de mastigar, tédio ou ansiedade, observe e respire antes de decidir comer.
Com o tempo, você reconhece o ritmo natural da sua digestão — e o corpo mesmo mostra o momento certo da próxima refeição.
atividade física
Fazer atividade física não é uma licença para comer em excesso, nem para usar o exercício como compensação. Essa é uma confusão muito comum — e perigosa, tanto do ponto de vista metabólico quanto comportamental.
Aqui vai uma explicação mais detalhada:
O corpo não funciona por compensação simples
Muitas pessoas pensam: “treinei forte, então posso comer à vontade”. Mas o corpo não converte automaticamente o gasto calórico em “créditos” para comer mais. O exercício melhora a sensibilidade à insulina, aumenta a queima de gordura e fortalece o metabolismo — mas esses benefícios se perdem se há ingestão excessiva de calorias, mesmo de alimentos saudáveis.
O exercício e a alimentação devem cooperar, não se anular
O treino é um estímulo para o corpo se adaptar e melhorar — e não uma desculpa para sobrecarregá-lo depois. Quando a alimentação é equilibrada e consciente, o corpo:
recupera-se melhor;
constrói massa magra;
mantém o metabolismo estável;
e reduz inflamações.
Mas quando há exagero, mesmo que o treino tenha sido intenso, o resultado é o oposto: inchaço, acúmulo de gordura e fadiga.
“Comer bem” não é o mesmo que “comer muito”
Há uma diferença sutil e essencial entre nutrir-se e encher-se. Nutrir é fornecer ao corpo o que ele realmente precisa — em quantidade e qualidade adequadas. Encher-se é perder o ponto da saciedade e comer por impulso, hábito ou prazer imediato. A verdadeira força vem do equilíbrio entre movimento e moderação, não da compensação entre extremos.
A harmonia entre treino, corpo e mente
Quem treina com consciência percebe que o exercício melhora a percepção corporal — inclusive na alimentação. O corpo passa a pedir comida de verdade, nas quantidades certas. Já quem treina para “gastar o que comeu” fica preso a um ciclo de excesso e culpa, que desgasta física e emocionalmente. Atividade física e alimentação equilibrada são como duas asas: precisam bater em harmonia. Treinar não é uma justificativa para comer sem medida; é um convite para viver com mais consciência do corpo, da energia e do que realmente sustenta a saúde.

