VPPB – Vertigem Posicional Paroxística Benigna
- Rudney Nicacio

- 23 de jan.
- 4 min de leitura

A Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) é a causa mais comum de vertigem periférica, caracterizando-se por episódios breves e recorrentes de tontura rotatória desencadeados por mudanças específicas na posição da cabeça. Apesar de ser uma condição que pode causar grande desconforto e insegurança ao paciente, é considerada benigna, pois não está associada a doenças neurológicas graves e possui tratamento eficaz.
Significado do termo
O nome da condição já descreve suas principais características:
Vertigem: sensação ilusória de movimento, geralmente descrita como “o ambiente girando”.
Posicional: os sintomas surgem ou se intensificam com determinadas posições da cabeça (deitar, levantar, virar na cama, olhar para cima ou para baixo).
Paroxística: ocorre em crises súbitas, de curta duração.
Benigna: não é progressiva nem ameaça a vida.
Anatomia e fisiopatologia
A VPPB está relacionada ao funcionamento do labirinto, estrutura do ouvido interno responsável pelo equilíbrio. Dentro dele existem os canais semicirculares, preenchidos por um líquido chamado endolinfa, que detecta os movimentos da cabeça.
No utrículo, outra parte do labirinto, existem pequenos cristais de carbonato de cálcio chamados otólitos ou otocônias. Em condições normais, esses cristais permanecem fixos. Na VPPB, eles se desprendem e migram para um dos canais semicirculares (mais frequentemente o canal semicircular posterior).
Quando a cabeça muda de posição, esses cristais deslocam-se de forma inadequada dentro do canal, estimulando excessivamente as células sensoriais. O cérebro recebe informações conflitantes entre visão, propriocepção e sistema vestibular, resultando na sensação intensa de vertigem.
Existem dois mecanismos principais:
Canalitíase: os cristais ficam soltos no canal (forma mais comum).
Cupulolitíase: os cristais aderem à cúpula sensorial do canal.
Principais causas
A VPPB pode ser:
Idiopática (mais comum), sem causa identificável, especialmente em pessoas acima dos 50 anos.
Secundária, associada a:
Traumatismo craniano
Infecções do ouvido interno (labirintite, neurite vestibular)
Enxaqueca vestibular
Cirurgias otológicas
Longos períodos de imobilização
Alterações degenerativas relacionadas ao envelhecimento
Sintomas
Os sintomas típicos incluem:
Vertigem intensa e súbita, geralmente durando segundos (raramente mais de 1 minuto)
Desencadeada por movimentos específicos da cabeça
Náuseas e, ocasionalmente, vômitos
Sensação de desequilíbrio residual após a crise
É importante destacar que não há perda auditiva, zumbido ou sintomas neurológicos associados à VPPB isoladamente. A presença desses sinais sugere outras patologias.
Diagnóstico
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história do paciente e em testes posicionais. O mais utilizado é a manobra de Dix-Hallpike, que reproduz a vertigem e provoca um tipo específico de nistagmo (movimento involuntário dos olhos), característico da VPPB.
Exames de imagem, como tomografia ou ressonância magnética, geralmente não são necessários, exceto quando há suspeita de causas centrais ou diagnósticos diferenciais.
Tratamento
O tratamento da VPPB é altamente eficaz e não envolve, na maioria dos casos, medicação contínua. O método principal são as manobras de reposicionamento canalicular, cujo objetivo é devolver os cristais ao utrículo, onde não causam sintomas.
As mais conhecidas são:
Manobra de Epley (a mais utilizada)
Manobra de Semont
Manobra de Lempert (barbecue roll), para acometimento do canal horizontal
Os sintomas costumam melhorar imediatamente ou em poucos dias após a manobra. Medicamentos antivertiginosos podem ser usados apenas de forma temporária para alívio dos sintomas, mas não tratam a causa.
Prognóstico
O prognóstico é excelente. A maioria dos pacientes apresenta resolução completa dos sintomas com poucas sessões de manobra. No entanto, recorrências são comuns, especialmente em idosos, podendo exigir novos tratamentos ao longo do tempo.
VPPB, Musculação e Exercício Aeróbico
A Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) não é uma contraindicação absoluta para a prática de exercícios físicos. Pelo contrário, a atividade física pode ser benéfica, desde que realizada com adaptações, progressão adequada e atenção aos gatilhos da vertigem.
O ponto central é entender que a VPPB é desencadeada por movimentos específicos da cabeça, e não pelo esforço físico em si.
Musculação e VPPB
O que pode causar vertigem na musculação
Durante o treino de força, alguns fatores podem desencadear crises:
Mudanças rápidas de posição (deitar e levantar bruscamente)
Exercícios que exigem hiperextensão ou flexão acentuada do pescoço
Movimentos com a cabeça abaixo da linha do tronco
Prender a respiração (manobra de Valsalva), que pode gerar tontura adicional
Exercício aeróbico e VPPB
Modalidades geralmente bem toleradas
O exercício aeróbico costuma ser ainda mais seguro que a musculação:
Caminhada
Bicicleta ergométrica
Elíptico
Natação leve (com cautela nos movimentos de rotação da cabeça)
Corrida leve, após controle dos sintomas
Essas atividades ajudam na compensação vestibular, melhoram o equilíbrio e reduzem a sensação de insegurança ao movimento.
Exercício como parte do tratamento
Após o tratamento com manobras de reposicionamento, muitos profissionais recomendam:
Exercícios de reabilitação vestibular
Treinos de equilíbrio e propriocepção
Atividades físicas regulares para reduzir recorrências
O movimento controlado ajuda o cérebro a reaprender a interpretar os estímulos do equilíbrio, reduzindo a chance de novas crises.
Quando evitar exercícios
A prática deve ser suspensa temporariamente se houver:
Crise aguda de vertigem intensa
Náuseas ou vômitos persistentes
Risco de queda
Falta de diagnóstico ou suspeita de outra causa neurológica
Nesses casos, o ideal é tratar a VPPB primeiro e retomar os exercícios de forma progressiva.
resumindo
A Vertigem Posicional Paroxística Benigna é uma condição frequente, muitas vezes assustadora para quem vivencia a crise, mas que possui diagnóstico relativamente simples e tratamento eficaz. O reconhecimento precoce evita exames desnecessários, uso inadequado de medicamentos e melhora significativamente a qualidade de vida do paciente. A VPPB não impede a prática de musculação nem de exercícios aeróbicos, desde que haja: controle dos sintomas, adaptação dos movimentos, progressão gradual, atenção aos sinais do corpo. Com orientação adequada, o exercício físico não só é seguro, como pode contribuir para a recuperação e prevenção de recidivas.




